Existem 188 empresas no modelo solar e 138 no mercado eólico em condições de fornecer produto equipamentos para instalação de usinas e parques.
O setor de energias renováveis registra ao menos 188 empresas no modelo solar e 138 no mercado eólico em condições de fornecer produtos e equipamentos para instalação de usinas e parques, de acordo com as entidades
representativas. E apesar de incertezas, em razão do aumento do imposto de importação de placas fotovoltaicas, e da crise no segmento de geração por ventos, que enfrenta a falta de pedidos para novos projetos, o setor se
movimenta.
No caso da eólica, a aprovação da lei da produção offshore e a perspectiva de fim da vida útil de parques antigos criam expectativas na cadeia de fornecimento. O fim do período de uso eficiente dos dispositivos, que costuma durar entre 20 e 25 anos, pode acarretar na extensão do tempo operacional do parque, por meio da repotenciação e modernização dos equipamentos, após aprovação governamental, ou no descomissionamento (desmontagem) do empreendimento.
Uma vez configurado, esse quadro acionaria a corrente de produção, composta por fabricantes de componentes de aerogeradores de grande porte – pás, hubs, naceles, transformadores, caixas multiplicadoras e torres, além dos próprios aerogeradores. Também fazem parte deste mercado as empresas de engenharia e de logística.
Coordenador de pesquisa e desenvolvimento do Instituto Senai de Inovação – Energias Renováveis, Antonio Medeiros prevê que já a partir de 2027 haverá um ciclo de desmonte no setor eólico de cerca de 1 gigawatt (GW) por ano, em função de equipamentos que atingiram o tempo-limite.
Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério de Minas e Energia, até 2030, mais de 50 parques com 600 aerogeradores alcançarão a faixa dos 20 anos de operação. Atualmente, o país tem 33,7 GW de capacidade
instalada em 1.104 parques eólicos, informa a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).
Medeiros ressalta que cidades próximas a parques eólicos se transformam em polos de serviços e de fornecimento de peças e componentes, como disjuntores e transformadores, para a manutenção das máquinas. Ele acredita que a
economia circular também será estimulada. “Vai ser possível, por exemplo, obter minerais críticos para a transição energética, como terras raras, por meio da reciclagem de aerogeradores e módulos fotovoltaicos”, diz.
O diretor de operações da Dois A, Nelson Newton de Faria Júnior, conta que já vem recebendo pedidos de orçamento para trabalhos de descomissionamento e repotenciação. O grupo atua em obras de infraestrutura no setor, na fabricação e montagem de torres eólicas de concreto e em serviços de manutenção. Com 450 parques instalados, também está presente na área solar.
Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar), o segmento atingiu 53 gigawatts (GW) de potência instalada operacional no Brasil. Desde 2012, atraiu mais de R$ 241 bilhões em investimentos e gerou mais de 1,5 milhão de empregos. Ante esse quadro, Nelson Falcão, vice-presidente de cadeia produtiva da entidade, critica o aumento, em novembro, do imposto de importação, que passou de 9,6% para 25% sobre módulos fotovoltaicos.
Para Falcão, a medida é “um tiro no pé”, porque não vai ajudar a desenvolver a fabricação local. Além disso, os produtos devem ficar mais caros e o país ainda corre o risco de perder competitividade. Segundo Falcão, os produtos importados respondem por 35% a 40% de uma instalação solar. “O restante, mão de obra, estrutura, cabos, engenharia, transporte, é brasileiro”, afirma.
Glauco Santos, diretor da Elgin Solar, defende que, apesar do aumento do imposto e da alta do dólar, o segmento ainda é competitivo, pois o custo de produção do módulo vem caindo. “Hoje, o payback de um sistema é mais curto,
fica em torno de 3/3,5 anos. Há dois anos, era de 4/4,5 anos.”
Segundo o executivo, o impacto fez com que os preços de um kit médio residencial (4kv/pico) passassem de R$ 10 mil para cerca de R$ 10,8 mil. A Elgin produz inversores, placas e kits completos. Em 2024, comercializou 15.000 kits, com alta de 33% sobre 2023. O bloco residencial/ comercial responde por 70% do seu mercado.